Dica de Filme! Já nas Locadoras!

"NÃO ACREDITE EM NADA QUE SEU PROFESSOR DIZ! QUESTIONE TUDO!


HANS-JOAQUIM KOELLREUTTER




Suite Brasileira para Violoncelo e Piano (Mehmari)

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NOVIDADE: https://www.youtube.com/watch?v=NymoG_qNyLY

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Pérolas do Rocha! Zelenka!

É com muita alegria que apresento-lhes a estréia em nosso blog das "Pérolas do Rocha". Meu amigo e pesquisador incansável da arte e da música, Ailton Rocha, nos revela sua mais nova descoberta, a obra do compositor da Boêmia - Jan Dismas Zelenka, Abaixo vocês poderão desfrutar um pouco deste universo num belo texto de apresentação e introdução deste importante compositor barroco.


(Não deixem de conferir outros textos imperdíveis sobre música e arte no blog Palavra e Melodia de Ailton Rocha.)
http://palavraemelodia.blogspot.com.br/


Vamos ao tesouro! Vamos ao texto!
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Jan Dismas Zelenka(1679-1745)



A ‘Missa Votiva’ de Zelenka

(ailton rocha)

“Esta obra não foi criada como encomenda, o que a torna um exemplo ainda maior de arte vinda da necessidade mais íntima da alma. Escrevera-a Zelenka como agradecimento ao Criador pelo recuperação da saúde, após um doloroso período de enfermidade...”



Um excelente compositor que descobri por esses dias é Jan Dismas Zelenka (1679-1745). Apesar de exumado no século passado, nos anos 50, ainda hoje continua sem a atenção que merece. Essa pouca vontade de nossa era a um dos mais originais compositores barrocos é uma das maiores injustiças que já vi. Caso não conheçam, recomendo-o veemente.

Surpreendentemente original, Zelenka estrutura a orquestra como os compositores do século 20. Ao ouvi-lo em uma programação de rádio, tive quase a certeza de que era compositor moderno, da época de Poulenc. Uma das características que mais distingue Zelenka de seus contemporâneos, além do inventivo contraponto, é o ritmo, com enfoque no grave para se destacar entre o agudo dos violinos. Nota-se na estruturação de sua orquestra um papel importante permitido às violas da gamba, porque raramente usava os violoncelos. No baixo contínuo é que há uma persistente marcação – dançante, eu diria – inusitada na música sacra. As síncopes quase polirritmicas tornam o som diferente e único. Ritmos assim seriam explorados quase à exaustão só pelos compositores dos princípios e meados do século 20. E Zelenka, sendo ao mesmo tempo moderno, levando em conta a época em que viveu, soa na polifonia também como um renascentista erudito. De forma que nesse compositor entrelaçavam o passado e o futuro, admiravelmente. Eis o estilo de Zelenka: um Palestrina do século 20, embora vivesse nos meados do século 18, contemporâneo de Albinoni, Vivaldi, Telemann, Bach e Handel. Telemann era amigo particular dele. E Bach que também o conhecia, admirava-o imensamente. Ao ler o ‘Magnificat em Ré maior’ pela primeira vez, disse: trata-se de um excelente compositor. É avaliação de Bach. Acho que não preciso dizer mais nada. E pasmem! Ainda hoje Zelenka continua quase desconhecido para a maioria. Mas quem o conhece não economiza admiração.

Sabe-se pouco da vida pessoal de Jan Dismas Zelenka. Nascido em Praga, na época pertencente à Boêmia, foi educado em colégio jesuíta que consolidou a sua fé católica, à qual continuou fiel a vida toda. Essa sinceridade religiosa é nítida na obra do compositor. Após estudos em Viena e na Itália, fixou-se em Dresden, Alemanha, como obscuro contrabaixista na orquestra da corte; na verdade, o seu instrumento era o 'violone', do qual originou-se o contrabaixo moderno. Iniciando relativamente tarde como compositor - com a idade de 30 anos - dedicou-se quase que exclusivamente à música sacra, com algumas poucas incursões pelas obras orquestrais (5 Capriccios, concertos e ouvertures) e de câmara (os famosos 6 Trios Sonatas, de 1721, muito apreciados pelos contrabaixistas). No gênero coral sacro, com mais de centena e meia de títulos, distinguem-se as 22 missas - algumas delas, diríamos,  são as mais belas e originais do período Barroco - apenas superadas pela ‘Missa em Si menor’ de Bach - o que não é pouco pois essa missa colossal de Bach, verdadeira catedral invisível, é um dos maiores monumentos artísticos da humanidade. Da vida pessoal de Zelenka há poucos registros. Sabe-se que nunca se casara, não deixou filhos nem discípulos. Pessoas que com ele conviveram testemunham que era “homem bom e pacífico, sábio e muito religioso”. Em Dresden viveu mais da metade da vida. Das pouquíssimas vezes que viajara foi para apresentar em Praga uma de suas obras, a única escrita para palco: ‘Sub Olea Pacis’ (1723), uma espécie híbrida de oratório em latim, ópera e música incidental com danças. Essa obra, atualmente aclamada como uma obra-prima, na época foi o único sucesso do compositor em público.       

Hoje as Missas de Zelenka são consideradas o ponto mais alto na totalidade de sua obra, cujo pináculo está nas ‘Missa Votiva’ (1739), ‘Missa Dei Patris’ e ‘Missa Dei Filii’ (1740), e ‘Missa Omnium Sanctorum’ (1741), todas escritas na última década de sua vida; sendo que as três últimas formam uma trilogia que o compositor não ouviu em vida, a não ser no coração, pois só foram apresentadas duzentos anos depois. Recomendo-as. Realmente, de uma inteligência musical impressionante, de uma originalidade como poucas no tratamento das vozes polifônicas do coro em contraste com os solistas homofônicos, às vezes no estilo alegre do 'rococó', às vezes dramáticos como em uma ópera ou intimistas como em uma prece, ou em tom popular, utilizando as danças folclóricas da Boêmia, seu país de origem; tudo isso acompanhado ora pelo uníssono das cordas em tessitura cromática, ora pelos diálogos contrapontísticos de violinos e violas. Negar a beleza estonteante dessa música é o mesmo que negar o brilho do sol.

Tornei-me um admirador incondicional das missas desse compositor boêmio-tcheco. Para compreenderem que não estou errado, sugiro que ouçam atentamente a ‘Missa Votiva’ nesta admirável interpretação do jovem regente Václav Luks. Esta obra não foi criada como encomenda, o que a torna um exemplo ainda maior de arte vinda da necessidade mais íntima da alma. Escrevera-a Zelenka como agradecimento ao Criador pelo recuperação da saúde, após um doloroso período de enfermidade, semelhante ao que fizera Beethoven, quase um século depois, no movimento lento do Quarteto de Cordas Op.132.

O júbilo do coro que há na ‘Missa Votiva’ e os momentos etéreos dos solistas, principalmente a soprano, são água cristalina, poesia pura, expressão artística da mais alta sinceridade - uma comovente certeza de que uma Inteligência Suprema paira sobre nós, que nos protege e ampara nos momentos mais difíceis da jornada.  

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Acredito que todos ficaram curiosos.................vamos entrar então na música deste magistral compositor.

Ouçam sem moderação.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Programa Passagem de Som - Sesc TV!

Genial. Esta é a palavra para definir tamanha riqueza e iniciativa do Sesc para esta série de programas.

Como sempre o Sesc dá um show de competência e bom gosto e mostra que neste país que parece sem memória, sem presente, e sem futuro, ainda existem pessoas, ou melhor, um órgão preocupado em eleger a minoria para um conteúdo cultural de qualidade, já que a mídia quer esmagar a grande maioria com seu lixo passageiro.

Mas enfim, este programa fabuloso - Passagem de Som é uma íntima mostra dos bastidores de artistas fundamentais para a música brasileira instrumental que se apresentam em shows oferecidos pelas casas SESC. Mas não é apenas um programa. 25 minutos de obra de arte revelando cada hora um artista de qualidade. Mas o programa também revela um espetacular "universo ao redor", mostrando cenas de ambientes e lugares que são importantes para a cultura daquele artista. Muito especial!

Eu já tive oportunidade de tocar por umas 4 vezes nestas casas de São Paulo e como fui bem tratado, valorizado e que profissionalismo e respeito que eles têm com o artista. E o melhor de tudo é que o público é diferenciado. Parece que sedento para conhecer o que de melhor tem nosso país. Curiosamente estas pessoas dizem não à cultura pop de massa!

Mas o que falar destes programas. Ahhhhhhhhhhh............Como aprendo..........E sim,......................não sou professor mais, abandonei o cargo já faz tempo...................ensinar não.................aprender sim e compartilhar sempre. Este é o lema! Aprendo com os mestres, com todos eles em suas várias e diversas nacionalidades, mas como aprendo também com esta grandeza de talentos e artistas que ainda aparecem fazendo obras de qualidade. Estou interessado no diferente e fora da mídia. Estou interessado no "paralelo". Estou interessado nas histórias que este programa me conta, nos bastidores à flor da pele da intimidade destes gigantes da música brasileira que muitos ou a grande maioria desconhece! Pasmem!

Estou encantado com esta série. Deixarei dois exemplos aqui que me deixaram fora da realidade e maravilhado por tamanha espontaneidade e sensibilidade. Um deles foi o encontro entre o violonista e compositor carioca Guinga com o Quinteto Villa-lobos. Ahhhhhhhhhhhhh se houvesse no mundo das palavras tamanha imensidão para explicar nossos sentimentos ao ser arrebatado pela música que ouvimos. É isso meus amigos. É isso. E nada mais! Ouvir. Se deixar levar neste canteiro infindo e tão cheio das mais belas flores em sons que é a Música. Sorte a minha por ser um deslumbrado interesseiro no "descobrir" e sorte de vocês por eu amar "Compartilhar!"

Esta série Passagem de Som passa mel em nossas bocas. Depois é calar e ouvir o show na íntegra de cada artista escolhido no fantástico programa SESC INSTRUMENTAL!
Guinga e Quinteto Villa-Lobos


Passagem de Son:
https://www.youtube.com/watch?v=8d69i1gbnog

Sesc Instrumental - Guinga e Quinteto Villa-Lobos!
https://www.youtube.com/watch?v=f-8_UPDtyCs

São tantos os programas para escolher mais um apenas para deixar aqui, mas terei esta difícil missão e e depois vocês terão o prazer de mergulhar nos mares de todos os outros.

André Mehmari e Mário Laginha

O encontro do multi-instrumentista e compositor André Mehmari  com o também compositor e pianista português Mário Laginha foi algo de delicioso e encantador. Estas intimidades.............este revelar do ser-humano perante o artista é algo que me desafia..........me deixa fascinado e mais uma vez digo: - Como aprendo com as histórias contadas por eles, pois são através de histórias que descobrimos outros mundos que certamente nos tornarão mais sensíveis e maiores como ouvintes e espectadores da ARTE e sem dúvida, melhores como seres-humanos.

Passagem de Som
https://www.youtube.com/watch?v=mcD2FPmOWwM

Programa Sesc Instrumental - André Mehmari e Mário Laginha
https://www.youtube.com/watch?v=3J2w_8ENVAA

Obrigado SESC por esta dádiva! E parabéns por ser este órgão tão gigantesco e rico que és.

Obrigado por elevar-nos à cultura maior e nos apresentar tantas maravilhas.

Como diria o compositor santista Gilberto Mendes: - "O Brasil não é um país. O Brasil é uma missão!"

O SESC deixa aqui sua formidável contribuição para o "Achamento do Brasil..........."

Obrigado!



terça-feira, 15 de setembro de 2015

Ode à Criação! Laboratório C.A.P.

Quinta-feira passada vivemos um dia célebre e falo sem temer: - Um dia inesquecível e inédito no conservatório!

Nas experíências do Laboratório C.A.P. quebramos o muro da rotina e da mesmice e fizemos uma apresentação toda voltada ao mundo das composições musicais, e o melhor, composições estas criadas pelos alunos Edson Emanuel, Carla Coimbra e João Paulo Roque.

No semestre passado propús aos alunos da Imagem Musical que cada um fizesse uma música e assim depois de conhecermos princípios e conceitos da criação, cada aluno conseguiu apresentar sua obra criada. Foi mágico, mas fizemos esta apresentação apenas entre os alunos.

Agora 3 destes alunos se reuniram para apresentar suas obras ao público do Conservatório e de Três Pontas. As composições foram capitaneadas e supervisionadas pelo professor Helcio Baroni, que fez um trabalho memorável.

João Paulo iniciou a apresentação com sua peça para piano - Silêncio da Alma. (Ares de Erik Satie, numa criação muito bonita e sentida.)
https://www.youtube.com/watch?v=XEj5NG0FIB0&feature=youtu.be


A aluna Carla Coimbra também tocou sua "peça de piano", com muito brilhantismo e desenvoltura.

Tivemos após estes momentos ao piano, o ciclo de canções contendo 4 peças. Estas foram cantadas pelo aluno Edson Emanuel. As composições foram feitas com parceria do professor Helcio Baroni, mas todas as letras foram compostas pelo aluno.

Os estágios da vida foram aqui representados:

Nascimento - faixa instrumental - o aluno João Paulo tocou flauta aqui com acompanhamento de piano de Helcio Baroni.
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=-087MbezUpg

Partimos para o ciclo - Infância - Juventude - Adulto e Velhice! Canções líricas de muita criatividade e emoção. Edson Emanuel e Helcio Baroni deixaram-nos maravilhados.
Infância e Juventude.
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=NkBCZiyk7C4
Adulto e Velhice.
https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=GdsVgKmlvl4


Ao final, os três alunos se reuniram ao professor Helcio Baroni e tocaram ao som de piano, flauta, canto e escaleta.

Confiram algumas fotos e estarei postando logo logo alguns vídeos de algumas das obras criadas.

Parabéns aos alunos e à iniciativa da Ofinina de Criação do professor Helcio Baroni. Que prospere! Que venham outros alunos e mais composições. Vamos encher o mundo de novas Músicas. De música boa!















quarta-feira, 2 de setembro de 2015

As 10 maiores Obras Musicais Brasileiras!

Recentemente recebi um email muito interessante sobre um top 10 das melhores Obras Musicais Brasileiras. Como todas as listas que podem ser pretensiosas, tivemos uma grata surpresa ao ver que aqui era na verdade o revelar de um grande tesouro. 70 pessoas ligadas à música fizeram suas escolhas das 10 mais.E como é difícil fazer isto como a maioria descreveu. Mas foi vibrante ler cada uma das listas e ainda por cima saborear todos os comentários mais que deliciosos dos grandes artistas que participaram desta enquete. Enquete para o bem. Para o bem do ouvido. No meio de tanta obra e compositor importante, podemos usar esta lista para ser um guia para quem está começando a descobrir a importância da música brasileira e toda a sua beleza.

Mas ressalto a importância de ouvir e re-ouvir, mais ainda, Ouvir e Viver a obra em questão. Ouviver a música, como diria Décio Pignatari.

Destaco aqui as 10 mais citadas que figuraram na maioria das listas e têm importância histórica e de beleza desafiadora.

Esta será uma postagem para o deleite do ouvir. E para quem ficar curioso com todos os detalhes das listas dos participantes é só acessar o link abaixo e conferir os resultados.
http://opiniaoenoticia.com.br/opiniao/villa-lobos-na-cabeca/

Choros nº 10 de Villa-Lobos – Citado 27 vezes

O Guarani de Carlos Gomes – 27

Bachianas brasileiras nº 5 de Villa-Lobos – 24

Lo Schiavo de Carlos Gomes – 21

Sinfonia em lá menor de Alberto Nepomuceno – 18

Festa das igrejas de Francisco Mignone – 18

Sonata opus 14 para violino e piano de Leopoldo Miguez – 13

Maracatu de Chico Rei de Francisco Mignone – 13

Ponteios de Camargo Guarnieri – 13

Choros nº 6 de Villa-Lobos – 13

Bachianas brasileiras nº 4 de Villa-Lobos – 13

Bom deleite além paraíso nesta imensidão de música que é o Brasil, felizmente!




terça-feira, 25 de agosto de 2015

Imagem Musical - Nelson Freire

No dia 01 de Agosto, o sul de Minas Gerais foi brindado com uma apresentação muito especial e inesquecível. Nada mais, nada menos que o um dos maiores pianistas do mundo. Nelson Freire. Seu nome e excelência dispensam apresentações. Sua música é definitivamente uma das maravilhas mais cobiçadas do planeta. Tive o privilégio de assistí-lo no teatro de Poços de Caldas e no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em concertos solo. Agora, a cidade de Boa Esperança(terra natal de Nelson) ganhou um presente que deixou todos os presentes enaltecidos. Nelson Freire tocou o Concerto 4 de Beethoven com a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Uma apresentação emocionante e sublime.
Foi uma noite única. Cidade lotada e muitos ali que nunca tinham visto uma orquestra e nunca tinham ouvido tamanha música, ganham presente múltiplo. Obra maior de Beethoven nas mãos do re-inventor genial. Beethoven soa fulminante nas mãos de Nelson Freire. Mas cabe ternura e a sabedoria do intérprete consagrado.

No dia seguinte foi lançado uma Biografia de Nelson Freire (Nelson Freire - A Pessoa e o Artista de autoria de Ricardo Arnaldo Malheiros Fiuza) na Casa da Cultura de Boa Esperança e assim deixo umas fotos do semblante inigualável do mestre. Agradeço as fotos cedidas gentilmente pela pianista e amiga Myrian Pinto, que se emocionou com a apresentação e foi lá dar umas palavrinhas mais de perto com o grande gênio.





E você ainda não ouviu nada tocado por ele? Corra e vá descobrir mais este universo. É algo que não pode faltar na formação de um músico.
Fiquem com o programa Harmonia Especialmente mostrando este Concerto em Boa Esperança e todos os bastidores da apresentação. 





sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Parede Falante! Gregório de Matos e Zé Miguel Wisnik

O Gosto do som! Ai de mim, que posso "ouvir" com os "olhos" as palavras tão fortes e febris ressoando por dentro de meu interior, movendo minhas entranhas em "agonia de felicidade" remota. Ai de mim, Mortal Loucura!

Assim me falou os versos emergentes do poeta  Gregório de Matos(1636-1696).
Faz tanto tempo que ele gritou e só hoje ecoou na minha alma esta beleza sem par. Mas mesmo assim, obrigado por ter gritado em minha direção....


Na oração, que desaterra …............................. a terra,
Quer Deus que a quem está o cuidado …........ dado,
Pregue que a vida é emprestado ….................. estado,
Mistérios mil que desenterra .........................… enterra
.
Quem não cuida de si, que é terra, …............... erra,
Que o alto Rei, por afamado …......................... amado,
É quem lhe assiste ao desvelado …................. lado,
Da morte ao ar não desaferra, …...................... aferra.

Quem do mundo a mortal loucura .................… cura,
A vontade de Deus sagrada ….......................... agrada
Firmar-lhe a vida em atadura …........................ dura.

O voz zelosa, que dobrada …........................... brada,
Já sei que a flor da formosura, …..................... usura,
Será no fim dessa jornada …............................ nada.

.....................................

mas se as palavras jamais me bastassem, fui surprendido pela releitura em música de um cantador daqui da nossa era, numa das mais emocionantes estadas do casamento de palavra e música. Fico grato senhor "SOM e SENTIDO.!" Zé Miguel Wisnik e sua magistral - Mortal Loucura! Não é para ouvir, é para "caminhar em música, numa procissão, de pés no chão, papel-poema na mão e sinceridade de cabeça baixa só sentindo..................só sentindo....................só sentindo...............só sentindo.........a vontade da melodia maior-sabedoria!............... ..."