Dica de Filme! Já nas Locadoras!

"NÃO ACREDITE EM NADA QUE SEU PROFESSOR DIZ! QUESTIONE TUDO!


HANS-JOAQUIM KOELLREUTTER




Suite Brasileira para Violoncelo e Piano (Mehmari)

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NOVIDADE: https://www.youtube.com/watch?v=NymoG_qNyLY

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Lançamento - Ismael Tiso! Ventos do Sul!

É com muita alegria que começamos nosso primeiro post de 2016 e não podia ser outro, senão o Lançamento do álbum Ventos do Sul de Ismael Tiso.



Sâo 7 faixas preciosas meus amigos..........arrebatadoras.............tornando-se "existir", forte, perene, fogo que emerge.......lei silenciosa que nada impõe, que verte em alma de sons aquilo que a imortalidade dialogará com o infinito.....obrigatório para os cd maníacos da música boa.

Sim, o presente se deu em dezembro de 2015, que chegou esta maravilha de cd em formato físico. Que adentre em bom tom agora também, e que trilhe um caminho próspero.

E que honra um Conservatório, vulgo Conservatório Heltor Villa-lobos de Três Pontas ter um artista deste nível e mais ainda, este artista ser um dos professores de guitarra da escola. 

É para comemorar, para se fazer dádiva. É um acontecimento meus amigos. Se eu fosse o "rei" decretaria feriado municipal e com certeza iria parar tudo. Faria o dia "Ismael Tiso..." pararia os relógios e deixaria a escola poder ter o privílégio de ouvir o que este artista tem a dizer, tem a sonhar - sons!..........e com certeza deixaria as 7 canções, ou 7 ninfas, se assim preferirem, voarem pelos ares deste conservatório...... ....

"E vai que dá certo.........todo ano ter o dia Ismael Tiso e ele lançar 1 maravilha em cd por ano!"

Parabéns Ismael Tiso por esta realização. Para o criador, ver sua obra consagrada, lançada à eternidade, é a razão e presente maior para que venham outros...


Cd Ismael Tiso - ventos do Sul!

(Cd Exclusivo e super lançamento deste jovem compositor de Três Pontas, com um trabalho autoral impecável e de qualidade surpreendente. É sem dúvida nossa dica máxima dos últimos tempos, O cd tem uma sonoridade inovadora, ousada e vai levá-lo sem dúvida a conhecer os Ventos do Sul e outras pérolas que marcam já o sucesso desta obra.)


Ismael Tiso é multi-instrumentista e compositor. Atuou como músico no disco "E a gente sonhando" de Milton Nascimento tocando violões, guitarra, vocais e teve a sua canção - Do Samba, do jazz,  do menino e do bueiro, também gravada por Milton neste disco.)


Este seu primeiro trabalho - Ventos do Sul - traz novas possibilidades para a chamada música mineira. É música sofisticada. O disco traz novos despertares, deslumbramentos musicais e definitivamente, caminhos harmônicos e possibilidades melódicas surpreendentes.


O disco traz os músicos em sua formação e participações especiais:


Ismael Tiso - vocais, composições, violões e guitarra
Clayton Prosperi - Vocais e piano elétrico.
Dedê Bonito - Baixo
Iago Tiso - Bateria
Lissandro Massa - Piano acústico e fender rhodes
Paulo Francisco Tutuca - Vocais
Tom Nunes - Sax Tenor
Helcio Baroni - Piano elétrico
Marly Tiso - Flautas


Produção e arranjos - Ismael Tiso
Mixagem: Marco Elizeo Mesquita e Ismael Tiso
Masterização: Marlon C.P. Almeida


Ouça e adquira esta obra-prima:
https://soundcloud.com/ismaeltiso/aprimeira











sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Beethoven "Supreme"! A "Eroica!"

Ludwig Van Beethoven - 1770-1827

...Esta semana fui visitar a caverna mágica de meu amigo Flávio Caldonazzo, caverna esta cercada por tantos gigantes da arte. Seu recanto é sublime e aconchegante . Lá, a hora é imortalizada de prazer e deleite. É o perpetuar da amizade e da troca. E como aprendo ouvindo as histórias que ele me conta. De música, literatura, cinema, pintura, psicologia e tudo mais.....................mas o que temos em comum é certamente este desejo de compartilhar estes universos supremos da Arte. E assim em horas a fio de conversas e conversas, Flávio Caldonazzo brada e me diz que precisa ler um texto: E assim me ponho a todos "ouvidos" a entrar neste texto formidável que ele lê e fico ao final da leitura, estupefato e sem reação.

Nada mais que Beethoven! Nada mais que a Sinfonia que definitivamente mudou os rumos da História da Mùsica. A "Eroica!"

Com a palavra o crítico e jornalista:
*H.L.MENCKEN*

BEETHOVEN

Beethoven foi um daqueles homens cuja estatura, vista em retrospecto, só parece crescer. Quantos movimentos não surgiram para pô-lo definitivamente na prateleira? Pelo menos uns dez nos cem anos desde a sua morte. 

Houve um em Nova York, em 1917, lançado por críticos bocós e estimulado pela febre da guerra: pregava que o lugar de Beethoven seria tomado por profetas das novas luzes, como Stravinski. O saldo daquele movimento foi o de que a melhor orquestra da América foi a falência – e Beethoven sobreviveu sem um arranhão. 

Claro que o século XIX não foi deficiente em grandes músicos. Produziu Schubert, Schumann, Chopin, Wagner e Brahms, para não citar hordas inteiras de Dvoráks, Tchaikovskis, Debussys, Verdis e Puccinis. Nenhum deles nos deu nada melhor do que o primeiro movimento da Heróica. Aquele movimento, o primeiro desafio da nova música, continua a ser a última palavra. É a peça mais nobre de música absoluta já escrita em forma de sonata e é também a mais nobre em música descritiva. Em Beethoven, a distinção entre as duas formas era puramente imaginária. Tudo que ele escreveu era, de certa forma, descritivo, incluindo até as primeiras duas sinfonias, e tudo era música absoluta. Deve ter sido uma brincadeira dos deuses, a de opor Beethoven, em seus primeiros dias de Viena, ao papa Haydn. 

Haydn era inegavelmente um gênio e, depois da morte de Mozart, não tinha qualquer razão aparente para temer um rival. Se ele não criou realmente a sinfonia como a conhecemos hoje, pelo menos enriqueceu a forma com suas primeiras autênticas obras-primas – e não com uma ou duas, mas literalmente com dezenas. As mais complexas harmonias pareciam jorrar dele como petróleo de um poço. Mais ainda, sabia como dominá-las, porque era um mestre da arquitetura musical. Mas, quando Beethoven entrou em cena, o velho Haydn teve de descer um degrau. Era uma gazela contra um touro: com um bramido, o combate**terminou. 

Os músicos costumam ver neste combate uma mera disputa entre técnicos. Admitem que a habilidade e engenhosidade de Beethoven eram muitíssimo maiores – que tinha um controle mais seguro sobre seu material, mais ousadia e criatividade, um conhecimento muito maior da dinâmica, dos ritmos e dos matizes –, em suma, uma musicalidade tremendamente superior. Mas não foi isto que o tornou tão superior a Haydn – porque este também tinha suas superioridades: por exemplo, seu constante estado de alerta inventivo, sua capacidade para escrever melhores canções. O que alçou Beethoven acima do velho mestre foi a sua dignidade como homem.

 Os sentimentos expressos por Haydn pareciam os de um pároco de aldeia, de um corretor da Bolsa ou de um violista carinhosamente enternecido por Kulmbacher. Quando chorava, era com as lágrimas de uma mulher que acaba de descobrir uma nova ruga; quando se mostrava feliz, era com a alegria de uma criança na manhã de Natal. Em contrapartida, os sentimentos que Beethoven punha em sua música eram os sentimentos de um deus. Havia algo de olímpico em suas iras e rosnados; e, quando gargalhava, era com um toque do fogo do inferno. Literalmente, não há um traço de vulgaridade em toda a sua obra. Nunca é doce ou romântico; nunca derrama lágrimas convencionais; nunca toma atitudes ortodoxas. Em suas passagens mais ligeiras, há a imensa e inescapável dignidade dos velhos profetas. Ele se preocupa, não com as agonias transitórias do amor romântico, mas com a eterna tragédia do homem. Ê um grande poeta trágico e, como todos os grandes poetas trágicos, obcecado pela inescrutável falta de sentido da vida. 

Da "Heróica "em diante, raramente desligou-se deste tema. Ele ruge através do primeiro movimento da "Dó Menor "e chega à sua estupenda declaração final na "Nona". Tudo isto era novo em sua época, causando murmúrios de surpresa e até indignação.

 O passo dado, da Júpiter de Mozart para o primeiro movimento da Heróica, foi perturbador; os vienenses começaram a ficar inquietos em suas primeiras filas. Mas havia um entre eles que não se inquietou, e chamava-se Franz Schubert. Consulte o primeiro movimento da sua "Inacabada "ou o lento andamento da Trágica e constate como o exemplo de Beethoven foi rapidamente seguido – e com que gênio. Houve um longo hiato depois disto, até que o dia 6 de novembro de 1876 amanheceu em Karlsruhe e, com ele, veio a primeira apresentação da Dó Menor de Brahms. Mais uma vez os deuses tinham entrado numa sala de concerto – e entrarão de novo quando nascer outro Brahms, não antes, porque nada pode sair de um artista que já não esteja no homem. 

O que minimiza a música e todos os Tchaikovskis, Mendelssohns e Chopins? Ê o fato de que é a música de homens vazios. Bonita, sim, e freqüentemente – à sua maneira. Ê infinitamente engenhosa, profissional e tem certas idéias musicais encantadoras. Mas é tão oca, no fundo, quanto uma bula papal. Ê música de homens de segunda classe. 

Beethoven desprezava todos estes artifícios: não precisava deles. Seria difícil pensar em outro compositor, mesmo de quarta classe, que trabalhasse com um material temático de tão pouco mérito intrínseco. Apropriava-se de canções onde as encontrava; construía-as a partir de fragmentos de motivos folclóricos; à falta do resto, contentava-se com uma simples frase ou algumas notas. Via tudo isto como material em estado bruto; seu interesse se concentrava em como usá-lo. Era a este uso que ele emprestava o impressionante poder do seu gênio. Sua engenhosidade começava por onde outros haviam parado. Suas estruturas mais complicadas retinham a clareza abrangente do Parthenon. E, delas, tirou uma espécie de sentimento que nem os gregos poderiam igualar; Beethoven era preeminentemente um homem moderno, sem o menor traço de barbárie. Em sua música havia o alto ceticismo característico do século XVIII, mas ele lhe insuflou o novo entusiasmo, a nova determinação de desafiar e bater os deuses, típicos do século XIX. Quanto mais envelheço, mais me convenço de que nunca houve um fenômeno tão portentoso na história da música quanto a primeira apresentação pública da "Heróica", a 7 de abril de 1805. Os redatores do programa camuflaram a obra com tantas camadas de especulações banais que seus méritos intrínsecos quase foram esquecidos.

Seria ela dedicada a Napoleão I? E, se era, a dedicatória seria sincera ou irônica? E daí? – quero dizer, e daí, para quem não seja surdo? Ela poderia ter sido dedicada a Luís XIV, a Paracelso ou a Pôncio Pilatos, sem fazer a menor diferença. O que a torna digna de discussão, hoje e sempre, é o fato de que, logo na primeira página, Beethoven atirou seu chapéu na arena e proclamou sua imortalidade. Sem concessões, sem pontes fáceis com o passado. A Segunda Sinfonia fica quilômetros para trás. Nascia uma nova espécie de música, cheia de desafios. Sem introduções melífluas ou conciliatórias; sem rodeios preparatórios para levar a platéia no bico e dar tempo ao regente para encontrar o seu lugar na partitura. Nada disso. Uma furiosa colisão da tríade tônica saía do silêncio e, de repente, sem pausa, a primeira exposição do primeiro assunto – amargo, dominador, áspero, rouco e, curiosamente, belo – com seu impressionante choque contra o elétrico dó sustenido. A carnificina começava cedo; estávamos ainda apenas no sétimo compasso. No 13º e 14º, o incomparável rolar da escala em mi bemol – e o que se seguia era tudo que já havia sido grande estilo, talvez tudo que "será "dito, sobre como fazer música em grande estilo. 

Tudo que se fez depois, inclusive por Beethoven, foi à luz daquele exemplo perfeito. Cada compasso da música moderna honesta tem uma dívida de gratidão para com aquele primeiro movimento. O resto da Heróica é beethovenês, mas não a sua quintessência. Diz a lenda que a marcha fúnebre só foi incluída por que era uma época de morticínios por atacado, e marchas fúnebres estavam em moda. Sem dúvida, aquela platéia da estréia em Viena, chocada e confusa pelos sucessivos desafios do primeiro movimento, deve ter ficado grata pela lúgubre melodia. Mas, e o "scherzo"? Outra perversa investida contra o pobre Haydn! Dois gigantes em luta diante de uma orquestra de anões soprando como loucos. Não admira que um sincero vienense gritasse das galerias: “Eu pagaria mais um "kreutzer "se esta coisa parasse!”. Bem, finalmente parou e então veio algo mais tranqüilizador – um tema com variações. Todos em Viena conheciam e adoravam os temas com variações de Beethoven. Ele era, de fato, o mestre dos temas com variações. Mas havia um coringa entre as cartas. As variações ficaram mais e mais complexas e surpreendentes. Coisas estranhas começaram a acontecer e aqueles exercícios tradicionalmente educados tornaram-se tempestuosos, temperamentais, cacofônicos e trágicos. No final, um áspero e exigente tumulto de acordes – era a "Sinfonia em Dó Menor" projetando a sua sombra. Deve ter sido uma grande noite em Viena. Mas, talvez, não para os próprios vienenses. Eles tinham ido ouvir “uma nova sinfonia em ré sustenido” (sic!). E o que encontraram no "Theater-an-der-Wien "foi uma revolução.– 1926-

HL Mencken -  Crítico e jornalista americano - 1880-1950

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Façam parte desta revolução. Vamos ouvir esta engenhosa obra numa execução memorável de Gunter Wand


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Paris! Um acalanto!

Maurice Ravel - 1875-1937
Silêncio! Mudo! Um afagar da noite e do dia fantástico. Tanto para aprender. Tanto para ouvir. Tanto para ser, compartilhar. Um mundo de música que não cabe no peito. Paris de Satie, de Debussy e de Ravel...............e de tantos outros mestres..........um cheiro de lembranças...............nas ruas que passei, ao sentir o poema que se ajoelha na Liberdade. E os sons que tanto me levam para outras jornadas, para paralelos de universos que muitos fecham os olhos ou desconhecem. Ahhhhhhhhhh Paris!

Duas gerações de artistas máximos - Martha Argerich e Lang Lang e com eles o presente especial de Maurice Ravel - A Suíte Mamãe Ganso! Uma carícia neste momento de tanto silêncio...........Que invada as almas, que acalme as dores, que leve ao paraíso da arte, todos que sofrem!

De joelhos, olhos fechados e pronto para o voo sem fim no mundo dos sons..........compartilho aqui esta maravilha:

https://www.youtube.com/watch?v=yoy0W37sHRs

Martha Argerich

Lang Lang






terça-feira, 3 de novembro de 2015

Parede Falante - Eduardo Galeano

Fiquei arrebatado pelo "O Livro dos Abraços" do escritor e poeta Uruguaio - Eduardo Galeano.

Esta Parede Falante vem ventando o que hoje acredito que o mundo mais precise: - Ser abraçado em sua totalidade. As pessoas estão cada vez mais distantes umas das outras e a educação anda cada vez mais superficial e solitária em sua principal função que deveria ser - Educar.

Este livro vem como um arrebatamento aos tempos de solidão que estamos vivendo. E se a vida aqui é tão urgente, acredito que a todo momento em que nosso poeta uruguaio escreve, tudo vira obra de arte e como ensina....

Eduardo Galeano - 1940-2015

E assim compartilho o que chamo de Música em palavras:

A Função da Arte/ 1

Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai, enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto o seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!


O mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
— O mundo é isso — revelou — Um montão de gente, um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.



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Acredito fortemente nestas duas maravilhas acima. É preciso "olhar", olhar no sentido maior. Olhar imensamente, dos lados, pelo todo, se perder no mar.

Ahhhhhhhhhhh "mundo"!

Obrigado Galeano por estes diamantes em palavras e que você descanse em paz no reino da Arte!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Pérolas do Rocha! Zelenka!

É com muita alegria que apresento-lhes a estréia em nosso blog das "Pérolas do Rocha". Meu amigo e pesquisador incansável da arte e da música, Ailton Rocha, nos revela sua mais nova descoberta, a obra do compositor da Boêmia - Jan Dismas Zelenka, Abaixo vocês poderão desfrutar um pouco deste universo num belo texto de apresentação e introdução deste importante compositor barroco.


(Não deixem de conferir outros textos imperdíveis sobre música e arte no blog Palavra e Melodia de Ailton Rocha.)
http://palavraemelodia.blogspot.com.br/


Vamos ao tesouro! Vamos ao texto!
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Jan Dismas Zelenka(1679-1745)



A ‘Missa Votiva’ de Zelenka

(ailton rocha)

“Esta obra não foi criada como encomenda, o que a torna um exemplo ainda maior de arte vinda da necessidade mais íntima da alma. Escrevera-a Zelenka como agradecimento ao Criador pelo recuperação da saúde, após um doloroso período de enfermidade...”



Um excelente compositor que descobri por esses dias é Jan Dismas Zelenka (1679-1745). Apesar de exumado no século passado, nos anos 50, ainda hoje continua sem a atenção que merece. Essa pouca vontade de nossa era a um dos mais originais compositores barrocos é uma das maiores injustiças que já vi. Caso não conheçam, recomendo-o veemente.

Surpreendentemente original, Zelenka estrutura a orquestra como os compositores do século 20. Ao ouvi-lo em uma programação de rádio, tive quase a certeza de que era compositor moderno, da época de Poulenc. Uma das características que mais distingue Zelenka de seus contemporâneos, além do inventivo contraponto, é o ritmo, com enfoque no grave para se destacar entre o agudo dos violinos. Nota-se na estruturação de sua orquestra um papel importante permitido às violas da gamba, porque raramente usava os violoncelos. No baixo contínuo é que há uma persistente marcação – dançante, eu diria – inusitada na música sacra. As síncopes quase polirritmicas tornam o som diferente e único. Ritmos assim seriam explorados quase à exaustão só pelos compositores dos princípios e meados do século 20. E Zelenka, sendo ao mesmo tempo moderno, levando em conta a época em que viveu, soa na polifonia também como um renascentista erudito. De forma que nesse compositor entrelaçavam o passado e o futuro, admiravelmente. Eis o estilo de Zelenka: um Palestrina do século 20, embora vivesse nos meados do século 18, contemporâneo de Albinoni, Vivaldi, Telemann, Bach e Handel. Telemann era amigo particular dele. E Bach que também o conhecia, admirava-o imensamente. Ao ler o ‘Magnificat em Ré maior’ pela primeira vez, disse: trata-se de um excelente compositor. É avaliação de Bach. Acho que não preciso dizer mais nada. E pasmem! Ainda hoje Zelenka continua quase desconhecido para a maioria. Mas quem o conhece não economiza admiração.

Sabe-se pouco da vida pessoal de Jan Dismas Zelenka. Nascido em Praga, na época pertencente à Boêmia, foi educado em colégio jesuíta que consolidou a sua fé católica, à qual continuou fiel a vida toda. Essa sinceridade religiosa é nítida na obra do compositor. Após estudos em Viena e na Itália, fixou-se em Dresden, Alemanha, como obscuro contrabaixista na orquestra da corte; na verdade, o seu instrumento era o 'violone', do qual originou-se o contrabaixo moderno. Iniciando relativamente tarde como compositor - com a idade de 30 anos - dedicou-se quase que exclusivamente à música sacra, com algumas poucas incursões pelas obras orquestrais (5 Capriccios, concertos e ouvertures) e de câmara (os famosos 6 Trios Sonatas, de 1721, muito apreciados pelos contrabaixistas). No gênero coral sacro, com mais de centena e meia de títulos, distinguem-se as 22 missas - algumas delas, diríamos,  são as mais belas e originais do período Barroco - apenas superadas pela ‘Missa em Si menor’ de Bach - o que não é pouco pois essa missa colossal de Bach, verdadeira catedral invisível, é um dos maiores monumentos artísticos da humanidade. Da vida pessoal de Zelenka há poucos registros. Sabe-se que nunca se casara, não deixou filhos nem discípulos. Pessoas que com ele conviveram testemunham que era “homem bom e pacífico, sábio e muito religioso”. Em Dresden viveu mais da metade da vida. Das pouquíssimas vezes que viajara foi para apresentar em Praga uma de suas obras, a única escrita para palco: ‘Sub Olea Pacis’ (1723), uma espécie híbrida de oratório em latim, ópera e música incidental com danças. Essa obra, atualmente aclamada como uma obra-prima, na época foi o único sucesso do compositor em público.       

Hoje as Missas de Zelenka são consideradas o ponto mais alto na totalidade de sua obra, cujo pináculo está nas ‘Missa Votiva’ (1739), ‘Missa Dei Patris’ e ‘Missa Dei Filii’ (1740), e ‘Missa Omnium Sanctorum’ (1741), todas escritas na última década de sua vida; sendo que as três últimas formam uma trilogia que o compositor não ouviu em vida, a não ser no coração, pois só foram apresentadas duzentos anos depois. Recomendo-as. Realmente, de uma inteligência musical impressionante, de uma originalidade como poucas no tratamento das vozes polifônicas do coro em contraste com os solistas homofônicos, às vezes no estilo alegre do 'rococó', às vezes dramáticos como em uma ópera ou intimistas como em uma prece, ou em tom popular, utilizando as danças folclóricas da Boêmia, seu país de origem; tudo isso acompanhado ora pelo uníssono das cordas em tessitura cromática, ora pelos diálogos contrapontísticos de violinos e violas. Negar a beleza estonteante dessa música é o mesmo que negar o brilho do sol.

Tornei-me um admirador incondicional das missas desse compositor boêmio-tcheco. Para compreenderem que não estou errado, sugiro que ouçam atentamente a ‘Missa Votiva’ nesta admirável interpretação do jovem regente Václav Luks. Esta obra não foi criada como encomenda, o que a torna um exemplo ainda maior de arte vinda da necessidade mais íntima da alma. Escrevera-a Zelenka como agradecimento ao Criador pelo recuperação da saúde, após um doloroso período de enfermidade, semelhante ao que fizera Beethoven, quase um século depois, no movimento lento do Quarteto de Cordas Op.132.

O júbilo do coro que há na ‘Missa Votiva’ e os momentos etéreos dos solistas, principalmente a soprano, são água cristalina, poesia pura, expressão artística da mais alta sinceridade - uma comovente certeza de que uma Inteligência Suprema paira sobre nós, que nos protege e ampara nos momentos mais difíceis da jornada.  

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Acredito que todos ficaram curiosos.................vamos entrar então na música deste magistral compositor.

Ouçam sem moderação.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Programa Passagem de Som - Sesc TV!

Genial. Esta é a palavra para definir tamanha riqueza e iniciativa do Sesc para esta série de programas.

Como sempre o Sesc dá um show de competência e bom gosto e mostra que neste país que parece sem memória, sem presente, e sem futuro, ainda existem pessoas, ou melhor, um órgão preocupado em eleger a minoria para um conteúdo cultural de qualidade, já que a mídia quer esmagar a grande maioria com seu lixo passageiro.

Mas enfim, este programa fabuloso - Passagem de Som é uma íntima mostra dos bastidores de artistas fundamentais para a música brasileira instrumental que se apresentam em shows oferecidos pelas casas SESC. Mas não é apenas um programa. 25 minutos de obra de arte revelando cada hora um artista de qualidade. Mas o programa também revela um espetacular "universo ao redor", mostrando cenas de ambientes e lugares que são importantes para a cultura daquele artista. Muito especial!

Eu já tive oportunidade de tocar por umas 4 vezes nestas casas de São Paulo e como fui bem tratado, valorizado e que profissionalismo e respeito que eles têm com o artista. E o melhor de tudo é que o público é diferenciado. Parece que sedento para conhecer o que de melhor tem nosso país. Curiosamente estas pessoas dizem não à cultura pop de massa!

Mas o que falar destes programas. Ahhhhhhhhhhh............Como aprendo..........E sim,......................não sou professor mais, abandonei o cargo já faz tempo...................ensinar não.................aprender sim e compartilhar sempre. Este é o lema! Aprendo com os mestres, com todos eles em suas várias e diversas nacionalidades, mas como aprendo também com esta grandeza de talentos e artistas que ainda aparecem fazendo obras de qualidade. Estou interessado no diferente e fora da mídia. Estou interessado no "paralelo". Estou interessado nas histórias que este programa me conta, nos bastidores à flor da pele da intimidade destes gigantes da música brasileira que muitos ou a grande maioria desconhece! Pasmem!

Estou encantado com esta série. Deixarei dois exemplos aqui que me deixaram fora da realidade e maravilhado por tamanha espontaneidade e sensibilidade. Um deles foi o encontro entre o violonista e compositor carioca Guinga com o Quinteto Villa-lobos. Ahhhhhhhhhhhhh se houvesse no mundo das palavras tamanha imensidão para explicar nossos sentimentos ao ser arrebatado pela música que ouvimos. É isso meus amigos. É isso. E nada mais! Ouvir. Se deixar levar neste canteiro infindo e tão cheio das mais belas flores em sons que é a Música. Sorte a minha por ser um deslumbrado interesseiro no "descobrir" e sorte de vocês por eu amar "Compartilhar!"

Esta série Passagem de Som passa mel em nossas bocas. Depois é calar e ouvir o show na íntegra de cada artista escolhido no fantástico programa SESC INSTRUMENTAL!
Guinga e Quinteto Villa-Lobos


Passagem de Son:
https://www.youtube.com/watch?v=8d69i1gbnog

Sesc Instrumental - Guinga e Quinteto Villa-Lobos!
https://www.youtube.com/watch?v=f-8_UPDtyCs

São tantos os programas para escolher mais um apenas para deixar aqui, mas terei esta difícil missão e e depois vocês terão o prazer de mergulhar nos mares de todos os outros.

André Mehmari e Mário Laginha

O encontro do multi-instrumentista e compositor André Mehmari  com o também compositor e pianista português Mário Laginha foi algo de delicioso e encantador. Estas intimidades.............este revelar do ser-humano perante o artista é algo que me desafia..........me deixa fascinado e mais uma vez digo: - Como aprendo com as histórias contadas por eles, pois são através de histórias que descobrimos outros mundos que certamente nos tornarão mais sensíveis e maiores como ouvintes e espectadores da ARTE e sem dúvida, melhores como seres-humanos.

Passagem de Som
https://www.youtube.com/watch?v=mcD2FPmOWwM

Programa Sesc Instrumental - André Mehmari e Mário Laginha
https://www.youtube.com/watch?v=3J2w_8ENVAA

Obrigado SESC por esta dádiva! E parabéns por ser este órgão tão gigantesco e rico que és.

Obrigado por elevar-nos à cultura maior e nos apresentar tantas maravilhas.

Como diria o compositor santista Gilberto Mendes: - "O Brasil não é um país. O Brasil é uma missão!"

O SESC deixa aqui sua formidável contribuição para o "Achamento do Brasil..........."

Obrigado!