Dica de Filme! Já nas Locadoras!

"NÃO ACREDITE EM NADA QUE SEU PROFESSOR DIZ! QUESTIONE TUDO!


HANS-JOAQUIM KOELLREUTTER




Suite Brasileira para Violoncelo e Piano (Mehmari)

Suite Brasileira para Violoncelo e Piano (Mehmari)
NOVIDADE: https://www.youtube.com/watch?v=NymoG_qNyLY

domingo, 26 de março de 2017

FELIX MENDELSSOHN BARTHOLDY!

Celebrando mais um encontro fomos afirmar a importância deste compositor alemão e sua contribuição para a história da música.

Aproveitamos para ver alguns trechos do interessante documentário Mendelssohn, o PROFETA.

Para quem quer adentrar no universo do compositor, eis um grande documentário e muito revelador de sua importância, apresentando um pouco de suas obras.

A um tempo atrás a folha de São Paulo lançou uma boa coleção em cd dos grandes mestres da música e para nossa sorte, o site com as biografias, obras e curiosidades de cada compositor ainda está no ar. 
Deixei aqui o link do Mendelssohn para vocês conhecerem mais e aproveitem para desfrutar de todos os outros que encontram por lá.

TAMBÉM RELEMBRO UM TEXTO EMOCIONADO SOBRE MENDELSSOHN QUE COLOQUEI EM NOSSO BLOG EM 2014!

O grande compositor judeu que redescobriu BACH  e oficialmente o apresentou ao mundo, romântico e sensível, tinha na irmã Fanny Mendelssohn uma adoração sem igual, o que refletiu muito em suas obras de piano. Mas vamos aqui destacar uma de suas mais famosas sinfonias.

Na nossa investigação musical mostrei o primeiro movimento da belíssima Sinfonia Italiana, alguns trechos do segundo e terceiro e o quarto completo e fomos percebendo seus temas e a atmosfera inspiradora que Mendelssohn buscou na Itália para passar para sua peça. 

Aproveitei para falar um pouco mais sobre a forma "Sinfonia" e aqui descrevo uma interessante definição desta sinfonia composta por Mendelssohn.

Sinfonia Italiana - 
Mov 1 - Reflete esplendidamente o céu azul, o ar puríssimo, a luminosidade e a alegria da pátria de Verdi

Mov. 2 - Expressa a religiosidade do povo italiano e por isso é chamado às vezes de Marcha dos peregrinos.

Mov - 3 - É uma composição de caráter juvenil. Repleto de encantadora e delicada fantasia, recorda muito a alma da gente peninsular, que Mendelssohn evoca nesta sinfonia.

Mov-4 - Inspirado no carnaval italiano, lembra o alvoroço das cenas carnavalescas. Neste movimento o compositor combina duas danças tipicamente italianas. - O Saltarelo e a tarantela.

A interpretação que deixo aqui é bem entusiasmada à cargo da orquestra Simon Bolivar da Venezuela....

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A cada encontro novas descobertas, mundos sonoros únicos e reafirmamos nossa paixão em compartilhar e apreciar arte e música..............

E CLARO, FELIZ VIAGEM AO MUNDO MARAVILHOSO DOS SONS!




domingo, 12 de março de 2017

A LÓGICA E A ARTE!

Este é sem dúvida um dos temas que mais me intrigam. Como transita a lógica na arte! E por séculos e séculos ouvimos depoimentos e histórias dos gênios que rompem a lógica e imortalizam a arte. Vide Van Gogh, Amadeo Modigliani, Robert Schumann, Erik Satie, entre outros....e o próprio Beethoven!

A maioria dos citados acima tiveram distúrbios de comportamento, seja ele mental ou mesmo de socialização às regras da vida. Suas obras, gigantescas!

E nesta semana fui buscar uma antiga história que deparei em São Paulo já alguns anos. 

As obras do Sergipano Arthur Bispo do Rosário e toda sua vida misteriosa e digamos "louca". Produzindo sua vasta arte trancafiado num hospício.


O tanto que me fascina este desafio do controle na criação. Ter ou não controle! O segredo da ideia original que persegue o século XX. A ideia pela ideia, mas que remonta organização e foco interior como todo ato de criar.

No documentário abaixo vocês podem conhecer mais sobre a vida do Bispo do Rosário.

E neste outro, detalhes e toda a sua obra relatada por críticos de arte e psicólogos, como vimos um trecho em nosso último encontro.... Assistam inteiro pois é impressionante toda sua história e a mística que envolve sua criação.


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Num paralelo excêntrico citei a personalidade do Bispo para lembrar outro artista "exclusivo" que homenageou o artista plástico citado. Arrigo Barnabé compôs uma missa nos moldes clássicos inspirado neste poder de produção do Bispo. 

E sua linguagem contemporânea converge com a do Bispo e o resultado, uma música em busca do original pelo original, dando-nos outros aspectos do que temos como "belo". E para nossa análise fomos ouvir a "valsa triste" Londrina, numa interpretação primorosa da cantora TeTê Espíndula.


Reafirmo o que falei dos momentos da canção que alterna lirismo, romantismo e sem dúvida o incômodo uso dos agudos na voz e das dissonâncias na harmonia. Ouçam como a orquestra organiza os pontos mais belos da canção........e mais uma vez percebam onde ficam os pontos culminantes da música.


Falei também mais uma vez que a obra musical do Arrigo Barnabé é bem diferente e variada. Passeia pelo "erudito" e a mpb marginal. Também trafega em suas releituras o irônico, perverso e o sofisticado. Tem como aliado ótimos músicos que o acompanham e assim traz sempre uma novidade para aquilo que pode ser banal.

Traz em algumas épocas caricaturas de samba e bossa nova, mas é na arte mais intelectual da composição européia - o  dodecafonismo e o serialismo - que ele acerta e inova, mas sempre nos espantando demais a primeira vista. É o caso de suas obras Clara Crocodilo e Tubarões Voadores! Mas mistura tudo com grande saudosismo dos tempos antigos das serestas e saraus...

Conferimos também a valsa - A Lenda!


CLARA CROCODILO

TUBARÕES VOADORES

Falar do século XX sempre é um desafio, pois cada criador é um mestre de surpresas!

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FELIZ VIAGEM À TERRA SAGRADA DOS SONS.............

ABRA A MENTE..............SE ENCANTE!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A VIDA DE UM HERÓI!

Boa noite nobres amigos.......

Semana passada fomos investigar pontos curiosos que entrelaçaram o "herói" - o músico em questão - a profissão músico- a razão de ser e do como traduzir esta diva dos sons -  O que é Música? - Esta pergunta sempre permeia nossos caminhos e após uma estada Beethoviana rumo ao modernismo, acredito que ela cabe tão fortemente e precisamos refletir sobre ela.....e muito.............e foi assim que todos se manifestaram e chegaram numa bela palavra - EXPRESSÃO - EXPRESSAR - 

sim...........está aí uma bela palavra........mas o caminho se amplia dia a dia em cada nova aventura........

queria sentir como a definição de música de cada um cabia em algumas audições e quis que nosso encontro fosse cheio de escutas atenciosas -  

Começamos com o Jardim das fadas de Maurice Ravel da Suíte Mamãe Ganso..........(pequenas peças reunidas pra expressar contos de fadas).......ouvimos a última delas na versão orquestral feita em 1912- 


Depois ouvimos a original para dois pianos composta em 1910.....



Investigamos as interpretações e sobretudo as variações tímbricas, ora no piano e ora na orquestra................

abaixo um link com uma análise mais profunda da suíte..

De curiosidade deixo a suite toda tocada magistralmente por dois ícones do piano, um jovem e outro já consagrado.........Lang Lang com Martha Argerich.........que maravilha.................reparem o envolvimento dos dois e a entrega 'a serviço da música...........
1- Pavana da Bela Adormecida
2- O Pequeno Polegar
3- Laideronnette - a imperatriz dos pagodes
4 - A bela e a Fera
5- O Jardim das Fadas


Aproveitamos esta troca de reflexões e definições e fomos falar sobre o equilíbrio - como Beethoven, Debussy e também Ravel estiveram procurando este sabor - eram ousados, mas voltavam para a melodia em algumas obras... - 

Ouçam a beleza particular do terceiro movimento do quarteto de cordas de Debussy - reparem na polifonia - Reparem como Debussy esconde os temas de beleza, mas ele se entrega - Busquem o "âmago" da peça - o ápice - percebam isto nos minutos  - 4`36  - (poucos segundos de deleite e tudo se esvai no mistério.........)

"Os sons constroem as imagens que vislumbramos em nossa imaginação ou apenas continuam a ser sons puros..........."

Fomos também investigar o terceiro movimento do quarteto de cordas de Ravel - Reparem como ele é mais claro de idéias musicais, mas ele omite a beleza lógica.........(menos polifônico)........


Nossa, parecia que este encontro jamais chegaria ao fim - eu disputava com os minutos para dar tempo de compartilhar tudo que programara - e a figura do herói eu queria salientar em tudo que falavamos e ouviamos - sim e sobretudo na figura do Educador - do Pensador e do músico -  

Pra encerrar coloquei um trecho pequeno da entrevista do Rubem Alves no programa Provocação...........Deixo aqui na íntegra, pois vale a pena ver e refletir - Quem é o herói???????????????


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em tempos que a maioria se encontra numa tela vaga, com um vago aceno e esquece a vida presente, real, aquela vida do abraço, do tapinha nas costas em um amigo, ainda lutemos pelas coisas suntuosas. Amplio aqui o que chamo de oportunidade, para se fazer oportunidade, se fazer existir num ambiente que te elevará ao patamar mais consciente do que é ser músico!

E claro, música se aprende com música. E ouvir é a chave para se conseguir o resultado da excelência! Que venham todos os mestres!

Boa viagem sonora a todos!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

2017 - oportunidade!


E neste 2017 acredito que a palavra que vou perseguir, mais uma vez é esta poderosa palavra - "OPORTUNIDADE!"

E neste primeiro post do ano, quero reafirmar o que acredito ser a maior força para aprender música - "se dar oportunidade", foco, entrega, pesquisa e definitivamente pegar a Oportunidade como premissa de seus caminhos.

Hoje com tanta coisa acontecendo e a informação tão exposta e gratuita pela internet, aprender música se tornou um bem fácil de ser conseguido, mas sua excelência ainda vai demorar para ser atingida se não tivermos uma amplitude maior de nosso estudo.

E assim, as artes irmãs podem dar toda a força na formação. Cinema, literatura, pintura, dança, enfim, procurem conhecer um pouco mais dos sabores da arte e assim estarão chegando mais perto de uma música maior e com certeza, mais rica.

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E aproveito aqui para compartilhar a força do que vamos ter neste fevereiro de 2017, mais uma entrega do grande prêmio do cinema, o Oscar 2017.

Nestas férias de janeiro tive o privilégio de correr atrás dos indicados em suas categorias e me surpreendi e me emocionei com tantos filmes com suas histórias reais e imaginárias. 

No lado direito deste blog vocês encontram os trailers dos indicados à melhor filme. Está imperdível!

DESEJO A TODOS UM ANO FORTE E COM MUITA CONCENTRAÇÃO PARA O ESTUDO DA MÚSICA. QUE SEJA SINCERO, REAL E COM MUITA PERSISTÊNCIA. E SIM, AGARRE A OPORTUNIDADE DE IR A UM CONCERTO, DE LER UM LIVRO, DE OUVIR UM ALBUM NA ÍNTEGRA, DE ASSISTIR UM FILME DIFERENTE. DE PERGUNTAR AO SEU PROFESSOR TODA A HISTÓRIA DO INSTRUMENTO QUE VOCÊ ESTUDA!

OPORTUNIDADE, EXPERIMENTE - MUDE SEU JEITO DE ESTUDAR NESTE 2017! PROCURE MAIS! DESEJE MAIS E COM CERTEZA TUDO SERÁ MÁGICO E MUSICAL.

FELIZ 2017 E ÓTIMO ESTUDO A TODOS....

E CLARO, FIQUE DE OLHO NESTE BLOG, QUE CERTAMENTE SERÁ UM DIFERENCIAL PARA SEUS CAMINHOS DO APRENDER!

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E UMA OBRA??? PARA CHORAR E PARA VIVER?


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Perdido num vulgo ano de 2007! Mulheres Compositoras e Mùsica de Fronteira

Hum.... tempo de grandes reflexões...
Nossa aventura ontem foi em busca dos mundos :
Erudito X Popular !!!!!!! Interessante análise... Investigamos algumas facetas destes horizontes e pudemos continuar conhecendo um pouco de nosso universo - a música brasileira...
Assistimos exclusivamente o encontro inesperado de Hermeto Pascoal e Elis Regina no festival de Montreaux na 
Suiça na década de 70... História pra lá de alucinante.... e música .... é......... é.......... bem.......... "sobrenatural????"

Caminhos interessantes, como disse ontem, Erudito ou Popular ??? Acho melhor.... - música de fronteira ! Como Mehmari, Gismonti, Guinga, Nelson ângelo !!!

Guinga - Age Maria

André Mehmari - Quase um Anjo

Egberto GIsmonti - Palácio de Pinturas - 

Nelson ângelo - 1974

Falamos também do universo feminino. Onde estão as mulheres na música.. ?? Compositoras ???


Apoiados na importância de Clara Schumann, deixo aqui uma curiosa reflexão sobre as mulheres na música !!! Não deixem de guardar este material... E desde já peço permissão ao Estado de Sâo Paulo para republicar este interessante texto.


O exílio feminino na criação erudita
Segunda-feira, 09 de Julho de 2007 às 17h28
O Estado de S.Paulo
'Esta separação temporária deixou claro para mim que nossa situação é particularmente difícil. Será que preciso sacrificar meu talento só para servir como seu companheiro de viagem? E, inversamente, será que você tem que 
jogar seu talento no lixo só porque estou acorrentado à revista e ao piano? ' Robert Schumann estava mais 
deprimido do que o seu normal naquele início de março de 1842. Ele, com 32 anos, largara sozinha a bela esposa Clara, de 23 aninhos, em plena turnê. O estopim foi a recepção à pianista em Oldenburg para a qual Robert 
não fora convidado. As brigas se sucediam, ele reclamando daquela 'indigna situação' e de ela sequer programar peças dele em suas turnês. A coisa não estava mesmo fácil. Mas o fato é que Clara Schumann (1819-1896) teve oito filhos com Robert, sustentou a casa praticamente todo o período de casamento, de 1834 a 1856, 
pagou as internações dele. Deu casa, comida, roupa lavada ao marido e à penca de filhos. E - ia esquecendo - 
ainda encontrou tempo para compor.
Quando se fala em mulheres e música, Clara é a primeira a ser citada. Com justiça - ela foi única na relação
 marido-mulher na primeira metade do século 19. E sua música tem certo interesse, como o público poderá 
conferir no Festival de Inverno de Campos do Jordão no dia 18, quando Sonia Rubinsky será solista do seu 
Concerto para Piano e Orquestra, ao lado da Sinfônica de Campinas. Clara inverteu de modo fulminante a condição da mulher musicista do século 19 para cá. Um rápido exame mostra uma lista de cantoras e pianistas bem grande. Mas quando se pensa nas autoras, o cenário é outro. Muito rarefeito. Atribui-se o fato à repressão, bem mais pesada, contra a mulher como compositora. Como cantora e instrumentista, tudo bem, mas aventurar-se num domínio eminentemente masculino era petulância demais.
As histórias da música em geral recalcam as mulheres compositoras - preconceito que só agora começa a ser enfrentado pela musicologia. No século 18, várias mulheres trabalhavam com música nas centenas de 
pequenas cortes espalhadas pela Europa. Às vezes escondiam-se em pseudônimos para não provocar a fúria masculina. É o caso de uma tal de Miss Philharmonia. Não se tem nenhuma documentação sobre ela, 
a não ser seis divertimentos e seis sonatas, publicados em Londres no século 18. Outra figura rara foi Anna Bon di Venezia,
que trabalhou como cravista na corte de Bayreuth. Encantado com ela, seu patrão lhe 
deu o título de 'virtuosa di musica di camera'. Ana Bon também tocou na orquestra de Esterhazy, 
comandada por Josef Haydn. Escreveu até uma missa e uma ópera, que se perderam. Morreu em 1765.
Fanny Mendelssohn Hensel
, talentosa contemporânea de Clara, não teve tanta sorte, apesar do 
sobrenome também ilustre. Ambas foram compositoras e merecem ser ouvidas com atenção. Porém, só são conhecidas daqueles que se dispõem a ler as biografias de Mendelssohn e Schumann. Fanny 
nasceu em 1805, quatro anos antes de Félix. Juntos formavam o par perfeito ao piano. 
Ela estudou composição com Zelter, o mesmo professor de Félix; casou-se com o pintor Hensel. Chegou a publicar seis lieder com o nome do irmão, mas o restante de suas obras só foi publicado postumamente. A Sony acaba de lançar no mercado internacional um ótimo CD com a pianista Lauma Skride. O prato principal e exclusivo é o ciclo pianístico O Ano - 12 Peças Características, assinado por Fanny. A graça, leveza e adequação de 
sua escrita pianística são incontestáveis.
Episódios de recalques e preconceito com relação às mulheres compositoras continuaram 
ocorrendo no século 20. O genial jornalista e polemista vienense Karl Kraus escreveu, em carta de 1916: 'Hoje Schoenberg veio me visitar (...) mostrei-lhe a Metamorfosi de Dora (poema de Kraus musicado por Dora Pejacevic, amiga de ambos). Ele considera natural que uma mulher não pode ser uma criadora musical, mas mesmo assim elogiou a composição.' É claro que a situação melhorou, a ponto de a grande pedagoga da 
composição européia ser uma mulher, Nadia Boulanger (1887- 1979).
 Depois de a trinca de ouro
 Stravinsky-Prokofiev-Shostakovich dominar a cena russa durante a primeira metade do século, a 
segunda metade tem em mulheres dois terços da atual trinca de ouro: Alfred Schnittke (1934- 1998) 
espreme-se entre Sofia Gubaidulina,
 com 76 anos, e Galina Ustvólskaya (1919-2006).

No Brasil, o século 20 foi pródigo em grandes musicistas. É impressionante a longevidade das três maiores figuras feministas na música brasileira. A soprano Bidu Sayão
 viveu 97 anos, entre 1902 e 1999; a pianista 
Magda Tagliaferro
 pintou os cabelos cor-de-fogo até os 93 (viveu entre 1893 e 1986); e 
Guiomar Novaes
 viveu 83 anos (entre 1896 e 1979). Mas elas são performers, e não compositoras. 
Ainda bem que o Festival de Inverno de Campos do Jordão, antenado, além de convidar 
intérpretes como a pianista Cristina Ortiz ou as musicistas do Trio Eroica, escolheu Jocy de Oliveira
como compositora residente desta edição. Perto de completar 70 anos em 2007, esta paranaense tocou Stravinsky regida pelo próprio, teve obras dedicadas a ela por nomes como Luciano Berio e Iannis Xenakis. E é hoje a mais importante compositora brasileira dedicada à criação multimeios, ou multimídia.
Gestos como este, de escolher a mulher como tema de um festival inteiro, são conseqüência direta da 
emergência do feminismo e dos 'estudos culturais', que felizmente acabaram, de certa forma, com os preconceitos recorrentes na história da música. Sempre haverá os 'porcos chovinistas', gente como o compositor
 americano Charles Ives (1874- 1954), que esculhambava até autores machos sobre os quais pairasse 
a menor dúvida sobre sua masculinidade. Dizia, por exemplo, que Chopin devia usar saias.
Mas, cá entre nós, uma pesquisa sempre ajuda a calar a boca dos preconceituosos. Foi o que fez 
Marianne Hassler, no artigo Biologia e Criatividade, incluído em Il Sapere Musicale, terceiro volume da enciclopédia editada pela Einaudi italiana e coordenada por Jean-Jacques Nattiez (2002, Turim). Ela se perguntou: será que a composição de uma mulher vale menos do que a de um homem?; o método de compor feminino se
 reconhece, por exemplo, no tipo e número dos instrumentos escolhidos?; as mulheres compõem de modo diverso dos homens, ou seja, existe um estilo de composição feminino?; e as mulheres compositoras têm traços de personalidade diferentes dos homens compositores? Todas as respostas são negativas. 
Não é possível estabelecer qualquer diferença marcada. Hassler foi fundo. Para responder à primeira pergunta, 17 rapazes e 13 moças compuseram uma pequena peça; executaram uma peça; improvisaram livremente;
 e improvisaram sobre um tema dado. Quatro especialistas julgaram os resultados sem conhecer os autores. 
Não foi possível destacar nenhum critério composicional tipicamente masculino ou feminino.
Finalmente: há um estilo feminino e um masculino de composição? O psicanalista Carl Jung dizia que o  homem extrai suas forças criativas de sua porção feminina, digamos assim; e que as mulheres fazem exatamente o contrário, ou seja, deixam aflorar seu lado masculino ao criar. Jung considera como qualidades femininas a intuição e o sentimento orientado para o lado pessoal, enquanto as 
habilidades masculinas privilegiam a ordem, o pensamento e a organização. A partir disso,
 espera-se que, ao compor música, os homens tendam para a intuição e as mulheres à racionalização. 
Baseando-se em informações biográficas de Dora Pejacevic (a amiga de Schoenberg e Kraus acima citada), 
Younghi Pagh-Paan e de Alban Berg, as análises concluíram que Dora compunha de modo masculino, 
enquanto Paan e Berg escreviam à feminina (epa). Portanto, também não é possível atribuir um estilo 
composicional determinado ao sexo do compositor.
Resumo da ópera: recalcadas por tantos séculos, as mulheres usaram a bandeira feminista para contar 
uma outra história - a das mulheres na música. Aí o preconceito se inverte, mas o resultado permanece 
distorcido, como aponta o musicólogo Alastair Williams no livro Constructing Musicology (Ashgate,2001). 
Exumam-se cadáveres que mereciam permanecer sepultados, na grande maioria dos casos; deseja-se, no fundo, estabelecer cotas para as mulheres na música, como se faz hoje polemicamente com relação às raças nas universidades brasileiras: 'Virginia Woolf e Jane Austen não precisaram ser exumadas, nem as qualidades 
de sua escrita esperavam ignoradas para serem redescobertas. Mas há poucas, se é que há, mulheres 
compositoras disponíveis para estudo.' É rigorosamente verdadeiro. Garimpa-se, garimpa-se, mas, 
excetuando-se o século 20, são raros os nomes - e menos ainda os realmente consideráveis.
A conseqüência mais importante e benéfica de tsunamis como o feminismo e os 'cultural studies', 
dos anos 50 para cá, foi dar um safanão na musicologia, a disciplina guarda-chuva dos estudos musicais, 
que dormiu no berço esplêndido da música absoluta por séculos. Felizmente, hoje, não dá mais para continuar pensando a música de modo descolado da realidade social, cultural, econômica e política - como teimam em continuar fazendo, de modo anacrônico, diversos departamentos de música das universidades brasileiras, 
sobretudo as mais estreladas (que recusam sistematicamente proposta de teses de mestrado e/ou doutorado envolvendo aspectos sociais da música; por isso, as mais interessantes migram para outros departamentos, como história, literatura e comunicações). A música só ganha significado rebatida contra os panos de fundo citados.
 Claro que é possível descrever a música em termos de estruturas, mecanismos formais ou modelos de 
sonoridade, diz a musicóloga Carolyn Abbate em Unsung Voices (Princeton, 1991). O ridículo, complementa, é 'considerar tudo isso como análise neutra, uma espécie de nível zero da verdade objetiva. Já nos demos 
conta de que este nível zero é um lugar fictício'.
As mulheres, por exemplo. Julgar de modo neutro a produção das (raras) autoras que conseguiram tornar 
públicas suas obras nesse panorama de 'nível zero da verdade objetiva' é, diz com humor Carolyn Abbate, 
'como se a Lolita de Nabokov deixasse de ser a narração de uma história trágica com divertidos episódios pornográficos para se tornar simplesmente uma coletânea de belas palavras'. É o mesmo que faz Stravinsky 
em sua Poética Musical, na qual diz que a música é uma 'linguagem sem nenhum traço de conexão com a sociedade'.

Isso é encarar a música como pura sonoridade, postura anacrônica que dominou o estudo e a sua interpretação nos últimos 200 anos. E que hoje parece, aleluia, datada.

domingo, 6 de novembro de 2016

A Fala da Flauta!

Continuamos nossas aventuras musicais e assim quis desbravar um pouco do mundo da flauta transversal. Lembrando que estou seguindo o caminho de intérpretes que ficaram muito famosos e ajudaram a alavancar a popularidade e o aprimoramento de seus instrumentos.

E ainda, estamos também a cada encontro tentando pontuar obras que se destacaram por vendagem de discos ou valor histórico ou ainda pela beleza natural de composição.....

Sem delongas, fomos falar da importância e do virtuosismo do francês Jean Pierre Rampal, nascido em 1922.

Ele, assim como o Andrés Segovia no violão, incentivou a produção de obras para seu instrumento e levou a flauta a um patamar de solista inédito. Tocou no mundo todo e trouxe a história do instrumento juntamente com seu repertório para as grandes salas de concerto. Fez transcrições e soube levar o timbre suave e versátil da faluta para outros estilos musicais........

E depois de já conseguir fama e reconhecimento, gravou um disco que marcaria pra sempre a lembrança do timbre da flauta:

- A Suíte para flauta e jazz trio do também francês Claude Booling.


Esta obra foi algo revolucionário...........pois unia aspectos de música barroca com jazz e danças populares..........algo realmente belo e novo. Lançado em 1975 o disco vendeu muito e tornou-se um campeão de vendas, popularizando demais a obra e seus intérpretes.

Aqui vocês podem ver e ouvir algumas partes da suite.... Ouçam, pois é de grande beleza:
https://www.youtube.com/watch?v=1acIStlA1sQ

https://www.youtube.com/watch?v=zKx14ZLtCYI



Lembrando que a idéia da composição está numa forma muito popular do período barroco, que era a suíte, que se definia como um conjunto de danças contrastantes.

Aqui temos exemplos de movimentos rápidos e lentos também se contrapondo e aspectos de danças inseridos em cada música da suíte.

Vale a pena ouvir a obra completa...........

Eu destaquei uma curiosidade, que até os improvisos do piano foram escritos na partitura, dando uma grande unidade de obra clássica mesmo..........

Cada movimento em especial tem uma beleza única.

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Rampal foi sem dúvida o flautista mais importante que já tivemos e seu caminho foi seguido pelo irlandês James Galway, que também continuou a saga de levar a flauta para patamares de destaque. Além de tocar em orquestras todo repertório erudito, passeou pela música de cinema obtendo grande popularidade. 

O comum dos dois estava na suavidade do sopro e uma transparência em reproduzir notas rápidas com perfeição..............Vejam esta transcrição para flauta da famosa peça O VÔo do Besouro do russo, Korsakov.
https://www.youtube.com/watch?v=LI3wIHFQkAk

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O mais interessante foi que estes dois flautistas levaram a popularidade da flauta para lugares inimagináveis e o mais interessante era o comentário do Rampal sobre quem seria o maior flautista do mundo pra ele. A resposta era certeira:

- o brasileiro, Altamiro Carrilho nascido em 1924.............

Acredito que no Brasil, todo mundo já ouviu falar do carioca da flauta transversal e do flautim, Altamiro Carrilho. Foi compositor, improvisador  e também um intérprete fervoroso. Tocando um repertório muito amplo, desde as peças célebres para flauta, até os clássicos do chorinho e todo o universo popular.

Aqui também registramos que no Brasil, a flauta transversal sempre teve uma força muito grande como um dos principais instrumentos solistas das rodas de choro. E nossa tradição de grandes flautistas, é forte, como Patápio Silva, Benedito Lacerda, Pixinguinha....

Atualmente saiu um documentário pela gravadora biscoito fino, muito importante sobre a vida do Altamiro. Vejam o trailer:

Altamiro morreu em 2012, vivendo e tocando por toda a vida. Foi também um grande responsável por imortalizar a Flauta Transversal....

Aqui uma das últimas apresentações dele, tocando a música que é considerada o primeiro choro da história:

- Flor Amorosa de Antônio Calado e Catulo da Paixão Cearense.

................independente do instrumento....................a viagem é certa! Pesquisem e vamos rumo ao mundo maior, célebre e sentido, a arte maior dos sons!